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Todos têm direito à graça de Deus

por Uma moradora, em 14.09.16

Antes de me passar a apresentar, gostava de explicar que nem sempre soube que os meus pais tinham uma grande dívida à inteligência. Isto são coisas que uma pessoa vai aprendendo ao longa da vida. 

 

 

Posto isto, passo a apresentar-me: Caridade de Deus Fernandes, 26 anos, e moro na Amadora. 

Mentira. Moro aqui na rua da Fonte Baixo. 

E agora, perguntam vocês : " Caridade, qual foi a necessidade daquela nota introdutória?" 

Pois bem, se estão a perguntar isso, então é porque não prestaram atenção necessária ao meu nome. Nesse caso, adianto desde já, que para aqueles que tal como os meus pais, não quiseram esperar na fila enquanto Deus distribuia inteligência, que passarei a explicar a intenção da minha nota introdutória.

 

 

Tudo começou, numa noite qualquer, 9 meses antes do casamento dos meus pais. E tudo culminou, precisamente no dia 13 de Maio de 1990, o dia do meu nascimento. Desde cedo que fui introduzida aos milagres operados por Deus Nosso Senhor, e seria de esperar que me tornasse desmedidamente devota às suas graças. Contudo, entrei para a escola, e obtive uma educação.

Posso ser mulher, mas nem a minha faculdade de fazer várias coisas ao mesmo tempo me permitiu combinar as duas coisas. 

 

Não tardou a ser expulsa de todas as catequeses, uma vez que não conseguia compreender como é que alguém é capaz de gerir um negócio, sem nunca meter os pés na empresa.

 

Mas divago! 

Voltando ao dia do meu nascimento, o dia em que adquiri o nome Caridade de Deus Fernandes...

 

É importante realçar que ninguém estava à espera do meu nascimento, principalmente o meu pai. Até porque acabei por lhe estragar a noite de núpcias.

Como referi, tudo começou numa noite, nove meses antes do dia do casamento dos meus queridos progenitores. A minha mãe pode até não saber, mas nessa noite ela engravidou. Aliás, tentei por várias vezes explicar-lhe que ela efetivamente engravidou 9 meses antes de me ter, porque de outro modo, nada disto seria possível.

 

Mas, como mulher devota que é, ela acredita piamente que só depois do casamento é que é permitido ter filhos. E bem feitas as contas, eu nasci depois de ela já estar casada, e contra essa lógica não há argumentos. O mérito deve ser atribuido quando é devido, e a minha mãe sempre foi boa a planear a vida dela, e de toda a família. A verdadeira gestora de trazer por casa, que comanda a vida de toda a gente, que nem o meu pai foi capaz de declarar o meu nascimento como indevido.  

 

Os factos irrefutavéis que leveram ao meu nascimento, na exata noite de núpcias dos meus pais, sempre foi explicado como : "É um milagre de Deus, Zé".

Convém mencionar que o perimetro abdmonial da minha mãe sempre foi considerável, pelo que a minha formação e desenvolvimento no seu ceio, nunca foi perceptível. Aliás, poderia jurar que a claustrofobia aguda de que sofro, começou no útero. 

 

Explica a minha mãe ao meu pai, que tanto rezou para casar e ter filhos, que Deus nosso senhor lhe concedeu os seus dois maiores desejos, no mesmo dia. Desta feita, o passo seguinte seria honrar este ato de intervenção divina, nomeando-me assim Caridade de Deus Fernandes, que foi obviamente um sugestão feita pelo meu pai.

 

Ainda nos dias de hoje, o meu pai diz que nunca se esquecerá da cara do Padre da Freguesia, quando lhe contou as novidades na missa no Domingo seguinte. Diz ele que o Padre nem queria acreditar que estava na presença dos mais recentes benefeciários da bondade de Deus. Padres são Padres, e ninguém sabe fazer mulheres devotas invocar o nome de Deus em vão, tão bem como eles. 

 

Deste modo, e para concluir. Nove meses antes do meu nascimento, a minha mãe foi invadida pela graça do Senhor. Falta é saber de qual... Sempre suspeitei do Sr.Tomé da Peixaria, que estranhamente, sempre me tratou por filha. Mas, pai é aquele que cria, e o Sr. Tomé não queria.

 

Neste momento, tenho 26 aos, e sou solteira porque até Moisés experimentou vários cajados, para poder convenientemente separar as águas. São compromissos sérios, o de escolher um único cajado para o resto da vida. 

 

O meu pai continua a perguntar quando é que vou arranjar um homem decente, para casar e ter os meus pequenos milagres. E eu explico-lhe, que por enquanto não estou interessada em ser invadida pela graça do senhor, até porque sou uma pessoa consciente dos perigos reais das DSTs. 

 

Enfim... Bem aventurados os pobres de espírito. 

 

 

 

 

 

 

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1 comentário

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De Pink Poison a 18.09.2016 às 21:36

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